COM OS OLHOS DO ESPÍRITO
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- PARTE II -
Giovanni Scognamillo
Vimos em comentário anterior que Goethe (Johann Wolfgang von Goethe – 1749-1832), estudando a sensação dos vegetais, a atração dos minerais e o instinto dos animais, sem mais informações sobre o princípio vital, sobre seres orgânicos e inorgânicos, e desconhecendo o agente primário que é o Fluido Cósmico Universal, quis acreditar na ação do espírito (princípio inteligente) interagindo sobre aqueles três reinos da Natureza e coordenando a evolução das espécies. Quando sabemos que o assunto comporta maior detalhamento, tendo sido examinado por Allan Kardec junto aos Espíritos codificadores, conforme se lê em “O Livro dos Espíritos”, capítulo 4 da Primeira Parte, quando trata do princípio vital.
Para melhor entendimento, recorremos à “Gênese”, no capítulo 11 (questão 10), onde encontramos dissertações de Kardec sobre a “união do princípio espiritual à matéria”. E o Codificador esclarece que “Deus, em vez de unir o espírito à pedra rígida, criou, para seu uso, corpos organizados, flexíveis, capazes de receber todas as impulsões da sua vontade e de se prestarem a todos os seus movimentos”. E, quanto ao reino animal mais evolvido, como instrumento para os ensaios do princípio inteligente, do ser pensante (pensar é um atributo do espírito), Kardec faz estas observações na questão de número 15: “Bem pode dar-se que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros espíritos humanos, forçosamente pouco adiantados… Em vez de fazer para o espírito um invólucro especial, ele teria achado um já pronto. Vestiu-se da pele de macaco, sem deixar de ser espírito humano, como o homem se reveste da pele de certos animais, sem deixar de ser homem”.
Também Léon Denis, eminente colaborador da Doutrina, enfoca o tema no capítulo 4 do seu extraordinário livro “O problema do ser, do destino e da dor” (edição da Federação Espírita Brasileira) e que tem como título “Evolução e finalidade da alma”, em que o filósofo declara que “na planta, a inteligência dormita: no animal sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente”, atingindo, assim, a idade da razão, e passando a ser moralmente responsável perante si mesmo e às Leis Universais.
Recorremos, ainda, para melhor entendimento do assunto – fácil para alguns e um tanto complexo para a maioria –, ao mentor de Chico Xavier, Emmanuel, que no seu precioso livro “O Consolador” (edição FEB), na questão 79, disserta sobre o mesmo tema levantado pelo dramaturgo alemão. Respondendo à pergunta “Como interpretar nosso parentesco com os animais?”, responde o mentor: “O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade.”
E assim temos, ampliados, os conhecidos reinos da Natureza, pois o instrutor acrescenta a eles o reino angelical, última etapa a ser conquistada pelo espírito imortal.
Goethe, movido pela boa intenção, foi o precursor do evolucionismo.
O escritor foi dotado, inclusive, de uma faculdade que lhe permitia penetrar o futuro, antecipar acontecimentos como este que passaremos ao leitor: estava o escritor na cidade francesa de Strasburgo quando teve a atenção desperta para uma grande comitiva que atravessava a cidade.
Era a comitiva de uma nobre moça austríaca que se dirigia a Paris, onde a aguardava o futuro esposo, Luiz XVI, rei da França. A moça era Maria Antonieta (1755-1793) e, ao vê-la, Goethe vaticinou, teve a precognição que ela teria um fim trágico, embora as aparências sugerissem o contrário.
Maria Antonieta tornou-se rainha dos franceses e quatro anos depois da famosa revolução de 14 de julho de 1789, a jovem senhora foi guilhotinada juntamente com o esposo e rei Luiz XVI
(1754-1793), cumprindo, assim, aquele quadro antevisto pelo escritor que trazia, desde o berço, o dom que lhe permitia vislumbrar estes e outros eventos, envolvendo pessoas e até mesmo convulsões na Natureza, como veremos no próximo encontro.
Esta faculdade mediúnica era interpretada nos tempos bíblicos como profetismo.
O profetismo foi, em verdade, o surgimento de médiuns superdotados, clarividentes que descreviam, com bastante antecedência, acontecimentos que abalavam aqueles que deles tomavam conhecimento.
É uma faculdade psíquica que permite prever o futuro como fizeram, por exemplo, João Evangelista ao escrever o Apocalipse, e Michel de Notredame (Nostradamus – 1503-1566), cujas profecias até hoje são objeto de estudo e interpretações.
Logo veremos outras premonições do emérito escritor, e como este gozava de plena intimidade com o mundo dos Espíritos.
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Sábado, 22/3/2008 – no 2086

