21- O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO *

CAPÍTULO III: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

ITENS 3, 4 e 5: DIVERSAS CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS

Kardec, através dos estudos dos relatos de muitos espíritos, de diferentes graus evolutivos, fez uma classificação dos mundos habitados, classificação relativa em comparação com a Terra, pois aprendeu que há mundos mais atrasados e outros mais adiantados do que o que habitamos.

É interessante observar a lógica da pluralidade dos mundos habitados (um dos princípios da doutrina espírita), como conseqüência da existência e imortalidade dos espíritos, do seu processo evolutivo e da criação constante de novos seres vivos, que um dia se transformarão em espíritos. Sendo estes imortais, sendo a criação dos mesmos constante, todos sujeitos à evolução segundo o livre arbítrio de cada um, tem de haver moradias, lugares apropriados a esses espíritos. 

Qualquer pessoa que pensa, ao olhar à noite, o céu estrelado, mesmo vendo uma ínfima parte do universo infinito, não pode deixar de pensar que deve existir seres vivos habitando-os.

Segundo os ensinamentos dos espíritos, os mundos se apresentam muito diferentes uns dos outros, tanto física como moralmente, de acordo com o grau de evolução de seus habitantes. Quanto mais atrasados, quanto mais materializados seus habitantes, mais inferior é esse mundo.

Assim, Kardec aprendeu que existem mundos inferiores, intermediários e superiores, havendo, em cada tipo, diversos graus de diferenciação evolutiva.

Nos mundos inferiores, “a existência é toda material, as paixões reinam soberanas, a vida moral quase não existe”, de modo que seus habitantes vivem quase que, exclusivamente, objetivando sua sobrevivência e a satisfação das suas necessidades físicas e materiais.

 Nos mundos primitivos, onde se dão as primeiras encarnações dos espíritos, os homens vivem mais guiados pelos instintos do que pela razão, pois esta aí começa a desabrochar-se.

Nas lutas pela sobrevivência, na satisfação das suas necessidades físicas e biológicas, vão desenvolvendo suas qualificações espirituais, lentamente, egocentricamente, preocupados apenas consigo mesmo. Esse egocentrismo parece-nos, absolutamente, necessário para que o homem desenvolva mais tarde, muito mais tarde, o amor por si mesmo e muito mais tarde ainda, o amor ao próximo. A Terra já foi um deles.

Nos mundos intermediários, o bem e o mal se mesclam, predominando o último quanto mais rude e atrasada é a sua humanidade, e o primeiro quanto mais caminhou  sua humanidade no seu desenvolvimento intelectual e moral. Quando este último se torna preocupação de muitos, talvez da maioria, e quando esta maioria busca com determinação a igualdade, a fraternidade e a solidariedade, esse mundo está preparado para mudar de categoria.

  Nos mundos superiores o bem prevalece a luta pelos valores materiais é inexistente, trabalha-se pelo bem de todos, através do bem, da fraternidade, da solidariedade. Quanto mais elevado, pelo adiantamento espiritual dos seus habitantes, mais reina a felicidade e a paz.   

Kardec fez então, uma classificação mais diferenciada dentre as três categorias, sempre de acordo com o grau de adiantamento de seus habitantes: mundos primitivos, com homens bem animalescos, vivendo quase que exclusivamente segundo seus instintos, cada um por si, e somente após um algum desenvolvimento da razão, começam a perceber o outro como um indivíduo igual a ele; mundos de expiação e de provas, conhecidos por nós, pois a Terra é um deles, onde o mal predomina e o bem encontra dificuldade para agir; mundos regeneradores, cujos habitantes são mais felizes do que na Terra, embora ainda tenham débitos a expiar. Todavia essa expiação já não é feita com tanta angústia e sofrimento como na Terra, visto que seus habitantes a compreendem como libertação de um passado de ignorância e faltas contra seus irmãos. Expiam-nas com alegria, no exercício do bem a todos; mundos felizes, onde o bem supera o mal, tornando-se o viver pleno de realizações nobres, em gozos espirituais que nós, homens da Terra nem temos condições de avaliar; mundos celestes ou divinos, moradas dos espíritos purificados, onde o bem, o amor reina absoluto no coração e na mente de todos.

Os três primeiros servem de moradias aos espíritos sujeitos à leis da reencarnação em mundos materiais, porque ainda estão em desenvolvimento do seu potencial espiritual.

Nos dois últimos são para espíritos que não precisam mais do concurso de mundos materiais. Trabalham, aprendem, criam de outras formas. Colaboram, eficientemente, nas obras do Pai, auxiliando seus irmãos em desenvolvimento. Vivem a vida plena do Espírito Imortal!

Os espíritos encarnados em mundos materiais não permanecem sempre no mesmo. Quando nada mais têm de aprender com as experiências que ele proporciona, passa a reencarnar-se em um mundo superior, onde continua fazendo a sua evolução, o seu desenvolvimento.  E assim, sucessivamente, até atingir o estado de espírito puro. É assim que se cumprem as palavras de Jesus: “Nenhuma ovelha que o Pai me confiou se perderá.”

São sábias e perfeitas as leis divinas!

Quando, após um relativo desenvolvimento intelectual, em mundos inferiores, se inicia o desenvolvimento moral e este, crescendo na mente e na sensibilidade, sendo vivenciado dentro das possibilidades de cada um, a vida material vai deixando de influenciar, com exclusividade o homem, de tal forma que “nos mundos  mais avançados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual.”

 Convém lembrar também que dentre os mundos da mesma categoria há diferenciações, sempre de acordo com o grau de evolução predominante em seus habitantes. Assim, há mundos de expiação e de provas piores ou melhores do que a Terra.

Pode- se permanecer no mesmo, quando esse mundo muda de categoria, continuando a oferecer, então, oportunidades de novas experiências, mais adequadas ao grau de evolução de seus habitantes. Mas, desde que não se tem mais nada a aprender no mundo em que se está, liberta-se o espírito da necessidade de reencarnação em mundo igual ao seu.

“Os mundos são as estações em que eles (os espíritos) encontram os elementos de progresso proporcionais ao seu adiantamento. É para eles uma recompensa passarem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo prolongarem sua permanência num mundo infeliz, ou serem relegados a um mundo ainda mais infeliz, por se haverem obstinado ao mal.”

Bibliografia:                        

1- Allan Kardec: O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro Primeiro: Capítulo III: CRIAÇÃO, V : pluralidade dos Mundos. Capítulo IV, PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS, III e IV: Encarnação nos Diferentes mundos e Transmigração Progressiva. Capítulo VI, VIDA ESPÍRITA, I e II: Espíritos Errantes e Mundos Transitórios.

2 – Emmanuel: A CAMINHO DA LUZ, capítulo III; As Raças Adâmicas.

Leda de Almeida Rezende Ebner

Fevereiro / 2002

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36 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO-ALLAN KARDEC CAPÍTULO V:

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS


ITENS 1, 2 e 3 : JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES

        Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os que padecem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino de Deus. (Mateus, V: 5,6 e 10).

        Bem-aventurados vós os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados os que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque rireis. (Lucas VI: 20 e 21 ).

        Mas ai de vós, ricos, porque tendes no mundo a vossa consolação. Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis. (Lucas, VI: 24 e 25 ).


        Ser bem-aventurado significa ser feliz. Se pensarmos que a vida termina com a morte do corpo, as palavras de Jesus não têm o menor sentido, são promessas vãs.

        Se aceitamos Jesus com o Espírito mais perfeito que veio enviado por Deus para auxiliar os homens na Terra, só podemos entender essas bem-aventuranças, como uma promessa para a vida além da morte.

        Assim, uma vez mais, Jesus deixa bem clara a idéia da imortalidade da alma, da vida futura após esta.

        Mas se pensarmos em vidas sucessivas, através das quais o Espírito imortal vai evoluindo e se aperfeiçoando, podemos ver nessas palavras, também a lei de causa e efeito, que, juntamente, com a lei da imortalidade da alma, tornam possível o cumprimento dessas promessas.

        A lei de causa e efeito, que se cumpre através da lei da reencarnação, é a chave para compreendermos esses ensinos de Jesus, destacando a Justiça de Deus, que funciona sempre, para o ser espiritual, de acordo com seu entendimento, dando a cada um segundo suas obras.

        Os que sofrem hoje poderão ser recompensados no além e dispensados em próximas reencarnações de determinados sofrimentos, visto não mais precisarem deles para seu desenvolvimento espiritual. Por exemplo, o Espírito que já aprendeu usar o dinheiro para o progresso da comunidade e dos seus irmãos também em desenvolvimento, não precisa mais passar pela prova da pobreza, a não ser que ele queira, em determinada missão.

        No estudo deste capítulo vamos refletir quando, como, porquê, os que sofrem aflições merecem ser bem-aventurados.

        Kardec inicia os seus raciocínios, relacionando essas palavras de Jesus com a justiça de Deus.

        As desigualdades sócio-econômicas entre os povos, entre os habitantes de um mesmo país ou de uma mesma cidade, mostram-nos a imensa injustiça que vige entre os homens na Terra, dando motivo para eternas perguntas, tais como: “Por que uns nascem na miséria, outros na riqueza? Por que para uns tudo é tão difícil, para outros tão fácil? Por que o mal parece ser mais recompensador do que o bem?”

        Não encontrando justificativa para tais situações, muitos concluem que essas situações, praticamente normais na Terra, desmentem a justiça divina. Negam a existência de Deus e a existência do Espírito, considerando que tudo, sentimentos , emoções, inteligência, criatividade, etc., provêm da própria matéria, do cérebro. Por isso são chamados materialistas.

        Outros, que consideram existir diferentes formas de adquirir conhecimentos da vida, além da Ciência, que cuida apenas dos fatos físicos e materiais, esses buscam encontrar as diversas causas do sofrimento na Terra. São os espiritualistas, que admitem a existência própria e independente da matéria, do Espírito, e acima de tudo, Deus.

        Quem aceita a existência de Deus e n’Ele deposita sua fé e confiança, tem condições de compreender as aparentes injustiças do viver na Terra, lutando para que desapareçam um dia, através da vivência da lei do amor, a única capaz de trazer a paz e a felicidade aos habitantes da Terra.

        Quem aceita Deus, como a causa primária de todas as coisas, vendo-O na Sua própria obra, no próprio dinamismo da vida em todos os seres vivos, não pode deixar de considerá-Lo em seus atributos infinitos de perfeição de inteligência, bondade, justiça.

        Então, não pode atribuir a Ele a injustiça dos homens. Há que pensar que deve existir causas para as aflições que o homem experimenta na Terra.

        Por isso, Kardec escreve neste estudo que “As vicissitudes da vida têm pois, uma causa, e como Deus é justo, essa causa deve ser justa. Eis do que todos devem compenetrar-se. Deus encaminhou os homens na compreensão dessa causa pelos ensinos de Jesus, e hoje, considerando-os suficientemente, maduros para compreendê-la, revela-a por completo através do espiritismo, ou seja pela voz dos Espíritos.”

        As causas das aflições da vida são de duas origens: as atuais, desta existência e as anteriores, conseqüências de atos de vidas passadas, sempre pois, originadas por quem sofre as conseqüências, os efeitos. Iniciaremos seu estudo no próximo mês.

Leda de Almeida Rezende Ebner

Maio / 2004

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Adultério

Cornélio Pires/Francisco Cândido Xavier

Jornal - Consciência Espírita

“O triângulo afetivo, nunca se forma a contento, e,

termina, sempre, na vida, em trio de sofrimento”

Todos nós vivemos em uma sociedade organizada, sujeita a regras de procedimento, úteis e necessárias para facilitar a vida e permitir a coexistência agradável. São as NORMAS de conduta. Por serem havidas como indispensáveis, são ensinadas desde a infância e acabam absorvidas e interiorizadas para nortear o comportamento civilizado. De outro lado existem os IMPULSOS naturais, os instintos do ser humano, tais como a agressividade, a sexualidade, etc, que não conhecem, não aceitam e nem seguem normas.

Diante de uma situação antagônica o homem entra em conflito. Faz parte de sua essência viver dividido entre as normas e os impulsos, sendo muita ilusão pensar que só será feliz quando seus conflitos terminarem. Precisa é saber administrá-los e isso não consegue sem conhecimento e exercitamento, coisa que não faz sem ajuda.

Um dos problemas mais importantes no desajustamento comum do homem é que ele encara de forma patológica um impulso que é normal. Exemplo constante é o da agressividade que a cultura ensinou tratar-se de algo ruim, mas este impulso, que tem a finalidade de mobilizar o ser paralisado pelo medo, existe em nós para ajudar a estabelecer limites e para defender. Há necessidade de requalificá-lo, pois ele é apenas neutro. Seu resultado é que pode ser mau ou bom.

Com o impulso sexual é a mesma coisa, é neutro, podendo apresentar resultados bons e maus conforme a direção que lhe é imprimida. Conquanto já tenha tido uma boa requalificação em várias partes do mundo civilizado, ainda padece de má interpretação nos países de terceiro mundo onde é visto de três diferentes maneiras:

1) Emoção de segunda classe, um mal, portanto, mas necessário considerando a reprodução. O normal e correto é reprimi-lo.

2) Diferenciação entre mulher e homem, estabelecendo normas masculinas e normas femininas. Claro que a moral vigente diz que, em termos de direitos, homens e mulheres são iguais. Mas, os homens são muito mais iguais! Deles se espera uma vida sexual intensa e precoce, que começa aos doze, treze anos.

Se não acontece nesta idade, a família fica ansiosíssima com a possibilidade de o garoto vir a tornar-se homossexual, pelo que, passam a tomar várias providências de provocação. E o que se espera da mulher?

Que fique virgem e casta até o casamento e ai da moça que faz o contrário… Ela tem de ser assexuada até o casamento e, então, transformar-se numa messalina. Nesse contexto se tem um rapaz que aprendeu a não ter sexo com a pessoa que ama e uma garota que não aprendeu a ter sexo de jeito nenhum. Benzem-se as alianças e jogam os dois numa aventura chamada lua-de-mel. Eles vão ter, a duras penas, de aprender a praticar uma ação altamente emocional, buscando o prazer a que ambos têm direito. Não pode dar certo.

3) Sexo tabu, ninguém pode falar, é vergonhoso, é proibido. O aprendizado é feito na rua, de modo errado e perverso. Talvez, um dia, alguém ensine alguma coisa porque a escola também não ensina. Com as moças é pior ainda. Um dia, talvez, uma tia tenha uma conversa com ela, na véspera do casamento, talvez…

Mas, as coisas já mudaram em várias partes do mundo e estão mudando por aqui. O que houve? Por que mudou? Não foi porque a humanidade tenha amadurecido ou adiantado espiritualmente. Mudou por uma razão econômica. Mudou porque aconteceu uma coisa chamada Revolução Industrial! Mas este é outro assunto.

Uma das características do impulso sexual é o fato de que requer novidade. Significa que, após algum tempo de vida sexual, tanto o homem quanto a mulher podem começar a sentir atração por pessoas diferentes de seu par. É natural do instinto e, portanto, não é patológico. Não pode e não deve ser mal avaliado. É como alguém que resolve fazer regime por motivo de saúde ou por estética. A decisão de entrar na dieta não anula a fome, não faz com que a pessoa não sinta vontade de comer.

Da mesma forma a fidelidade conjugal não anula o desejo por outrem. Acontece que em nossa cultura os casais fazem um contrato de fidelidade, não por escrito e nem, ao menos, verbalizado, mas elaboram uma expectativa de ambos que sejam fiéis, isto é, sexualmente exclusivos.

Mas, ao cumprirem o contrato frustram o instinto e entram em conflito. Por que, então, persiste a fidelidade? Pelas compensações que existem: - o prazer de ver o outro feliz; - o prazer de estar de acordo com os próprios princípios; - a fidelidade que recebe em troca; - a sensação de estar construindo um vínculo sólido e prazeroso; - a suposição de estar de acordo e agradando os bons espíritos assistentes, etc.

Mas, com tudo isso, ainda vão sentir desejo extraconjugal. E, se não se inculpam pela fome durante um regime, também não devem censurar-se por causa do desejo. Fidelidade não é obrigação, é escolha. Pode ser a causa de muita satisfação, mas também pode produzir muita frustração.Um autor comparou, pitorescamente, a fidelidade a algo menos estimulante do que uma salada de chuchu temperada com água.

No Brasil a prática sexual tem sido feita dos dois modos possíveis, o legal e o ilegal ou dentro do casamento, com a aprovação e beneplácito de todos ou fora dele, com a desaprovação, a censura e a condenação geral. Este sistema facilita a entronização da hipocrisia, pois, os mesmos que condenam são, muitas vezes, os próprios participantes ocultos da infração.

O adultério pode ser definido, segundo Millôr Fernandes, como a quebra do contrato vitalício, civil ou religioso, com substituição de sócio, sem aviso prévio. Além de curiosa essa interpretação é bem verdadeira. Haveria apenas uma pequena restrição à substituição de sócio. O que mais se vê não é isso e, sim, uma variante de utilização de sócio.

Eu próprio costumo conceituar o adultério como uma quebra do contrato de exclusividade sexual, porque o sócio indisciplinado, quando não descoberto, continua atuando na empresa como se nada houvesse ocorrido de anormal.

Quando descoberto e penalizado, costuma adotar vários tipos de medidas defensivas: - defesa com negação absoluta e acusação de excesso de desconfiança; defesa sem negação da ocorrência, mas com denúncia de insuficiência, defeito ou problema por parte do outro sócio; defesa com aceitação da crítica e auto-acusação de desvalor e inferioridade; defesa com acusação de que o casamento acabou e que é melhor a separação.

Na verdade, o que o parceiro lesado pretende não é exatamente punir o culpado mas, constantemente, é conseguir uma garantia de que aquilo nunca mais irá acontecer. Quase todas as mulheres, quando nesta situação, são capazes de perdoar e deixar o problema no esquecimento, se puderem ter certeza de encerramento do episódio. Já os homens, auto-havidos como machões cultivadores de grande orgulho sexual, não conseguem pensar assim e, freqüentemente, partem para uma retaliação, punindo a mulher com agressão física ou com humilhações mil, quando não com uma separação ou até com assassinato.

Comparando estes dos casos e adotando aquela tese espírita de que “quem pode mais cede mais”, podemos concluir sobre que é mais adiantado espiritualmente.

É importante considerar que o adultério masculino é muito mais freqüente do que o feminino, talvez até, por uma questão cultural. Desde criança o menino é criado com a idéia de que há uma grande honra em ser macho, agressor, violentador. A conquista para ele é como um troféu - quanto mais difícil, quanto mais proibida e quanto mais numerosa, mais valiosa e admirada.

Com isso em mente, desde a infância, o pobre do adulto não poderá, depois, ser tão inculpado, quando praticar um acontecimento para o qual foi tão bem preparado.

Já com a menina é diferente: desde a infância ela recebeu uma instrução para ser virtuosa, honesta.

Daí conseguir, diante de uma tentação, ter mais resistência. Isso é falado sem negar-se o valor real do indivíduo espiritual cujo sexo é apenas uma circunstância reencarnatória, considerando que esta virtuosa mulher, de hoje, pode ter sido homem na última existência.

Um dos temas preferidos para justificar-se uma atração fora do casamento é o de se haver encontrado a alma gêmea - uma pessoa de subido valor, alguém de que se estava na expectativa desde a juventude e que já se pensava não existir mais. Seria o afeto idealizado que cada pessoa, normalmente, constrói na existência. Os menos informados em Doutrina Espírita dizem que esta pessoa é a sua alma gêmea ou sua metade eterna e que ambos se estavam buscando com empenho e persistência até se encontrarem e que, daí para frente, seguiriam juntos para todo o sempre, completando-se infinitamente. Em O Livro dos Espíritos Kardec já recusa esta idéia e coloca por terra a tese das almas gêmeas. O que pode ser admitido é que, com o crescimento espiritual as pessoas vão construindo as suas afinidades e ampliando sua capacidade de amar. Na condição de espírito superior teremos as entidades se comportando com tanta afeição e aperfeiçoamento que podem ser tidas como verdadeiras almas gêmeas, irmanadas e felizes na compostura de suas ações benfeitoras.

Na realidade evolutiva de nosso planeta não encontraremos afeições muitas profundas que possam sequer lembrar as almas gêmeas. Existe, sim, uma afeição do passado que, constantemente, costuma aparecer no caminho, podendo gerar dificuldades, considerando a nossa baixa resistência à tentação. A este respeito o espírito Cornélio Pires, no livro Retratos da Vida, lança uma série de avisos provisores: “Se uma afeição de outras vidas / Vem, de novo, ao nosso olhar, / A situação em que esteja / É uma lei a respeitar.” - “Se você gosta de alguém, / Mas já não está sozinho, / Cultive o amor dos irmãos, / Não complique o seu caminho.” - “Em toda parte do mundo, / Se a mulher larga o dever, / Deserções, crimes, suicídios, / São fáceis de aparecer.” - “O triângulo afetivo / Nunca se forma a contento, E, termina, sempre, na vida, / Em trio de sofrimento” - “Cumpra o dever que abraçou, / Alegre, calmo, sereno, / Pois, sexo com remorso / É melado com veneno.” - “Recorde o antigo ditado, / De valor singelo e raro, / Quem a paca cara compra / Pagará a paca caro.”

O que se divulga e se defende no Espiritismo é que a pessoa saiba, correta e conscientemente, o que está fazendo com a sua vida. Se souber, tudo bem, pode continuar, seu débito é conhecido e assumido. Não poderá alegar, depois, nenhuma ignorância. Mas, se não estiver bem certa do que faz, será bom aprender.

Falando pela maioria, as pessoas não suportam o adultério e procuram sempre tomar providências punitivas. Só que estas são, constantemente, estapafúrdias e contraproducentes. O que mais conseguem com o revide é lançar o seu cônjuge nos braços de outra pessoa. Seria muito importante, pela própria economia de dor e de saúde, que estes cônjuges soubessem agir com acerto e acreditassem que poderiam conseguir melhor resultado usando um outro procedimento - a tolerância evangélica, lembrar que um erro não justifica outro e, então, deixar o engano havido inteiramente com a outra pessoa.

Nós não precisamos sofrer porque alguém quis nos abandonar. Afinal, todos têm o direito de fazes suas escolhas, mesmo que estas não recaiam sobre nós.

Pensando bem, só nos pode interessar um amor que nos seja dado espontaneamente e, nunca, um obrigatório. Aprendamos a abençoar e deixemos o afeto seguir o seu caminho. É claro que isso não é muito fácil de conseguir, considerando o nosso condicionamento antigo, mas pode ser obtido, devendo ser tentado. O primeiro passo é aderir à nova postura, ter vontade de fazer, acreditar que pode, desejar intensamente. E continuar insistindo, insistindo, sem cansaço. Você consegue.

Para justificar esta posição quero sugerir a mensagem Infidelidade, contida nos livro Pedaços do Cotidiano, do espírito Silveira Sampaio, onde temos um belíssimo exemplo de procedimento feminino.

Evidentemente existem pessoas não espíritas dotadas de consciência espírita, assim como existem espíritas sem ela. O mais comum, todavia, é encontrá-la entre os espíritas porque o Espiritismo trabalha as consciências das pessoas.

Que tal estudar para valer e, depois, aplicar firmemente o resultado em sua vida?

Que tal conhecer e aderir ao Modelo Espírita?

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JUVENTUDE PERMANENTE: TESOURO AO ALCANCE DE TODOS

A Fonte da Eterna Juventude já foi descoberta, há muito tempo; porém, poucos se deram conta de tão notável evento. Isto, porque os caminhos de busca foram escolhidos pela maioria com base nos pressupostos da vaidade, prevalecendo o conceito de que só a aparência reflete a juventude que cada individualidade pode e deve irradiar.

A Humanidade sempre se preocupou com os aspectos externos da personalidade, como se tal anseio, uma vez satisfeito, pudesse significar a legítima sensação de bem-estar almejada.

Multiplicam-se os institutos de beleza, as academias de cultura física, as cirurgias plásticas, os implantes, etc. Tudo com vistas à obtenção de formas anatômicas perfeitas, mesmo que tais intentos sejam obtidos com imensos sacrifícios, horas perdidas nas academias, riscos cirúrgicos e, às vezes, o uso de substâncias anabolizantes, sabidamente nocivas à saúde. No entanto, a magia da juventude não se relaciona, apenas, com a imagem externa. Ela se encontra em nosso íntimo; mas nem todos a enxergam, de fato. A juventude autêntica é um fenômeno puramente interior, a se exteriorizar não por meio de sinais físicos, mas por intermédio de atitudes saudáveis, fraternas, otimistas e solidárias. A juventude que encanta é uma condição especial de comportamento afetivo. Vibra, no âmago da criatura, e caracteriza certo grau de maturidade do senso moral. Às vezes, por trás da aparente beleza física, manifestam-se conflitos psíquicos de grande intensidade, responsáveis pelo envelhecimento precoce do ser. A vaidade excessiva, a ambição desmedida, a desonestidade corriqueira, a falta de sensibilidade afetiva, a inveja doentia, o mau-humor constante revelam-se os maiores obstáculos a serem suplantados por aqueles que desejam manter-se jovens, de verdade.

Devemos reconhecer que a autêntica juventude engloba, necessariamente, um grupo de pequenas virtudes, quais sejam: a maneira gentil de ser, o modo equilibrado de reagir aos estímulos ambientais, a forma saudável de interagir com os semelhantes, o espírito de conciliação, o interesse em colaborar para a manutenção da harmonia ambiental e outros mais.

Assim, o aspecto externo da criatura tem importância relativa, pois nem sempre reflete o seu estado de alma. A eterna juventude é um predicado do Espírito. Só os mais experimentados nos exercícios enobrecidos da vivência terrena conseguem a permanência da jovialidade, independentemente da idade cronológica.

Diz o velho ditado: querer é poder. Pois bem, se soubermos mobilizar a vontade e aplicá-la nos recursos do bem, remoçaremos, progressivamente; e, quando a alma se mostra jovem, o arcabouço físico reflete uma beleza indefinível. Por isso, freqüentemente, escutamos: “Fulano não é bonito, mas é extremamente simpático”. Eis a mais pura verdade. Com os sentidos físicos, enxergamos a aparência, nem sempre bela; mas, com os olhos da alma, identificamos a beleza legítima a vibrar acima das aparências.

Sem dúvida, a tal Fonte da Juventude está ao alcance de todos. Basta um pouco de conscientização, de boa-vontade, de alegria de viver, de simpatia espontânea, de generosidade para com o próximo e, logo, nos sentiremos incluídos no grupo dos felizes portadores da jovialidade permanente.

Da revista “Tribuna Espírita” (Rua Prefeito José de Carvalho, 179 – Jardim Treze de Maio – CEP 58025-430 João Pessoa, PB – telefone [83] 3224-9557 e correio eletrônico joseafrazao@hs24.com.br).

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INESQUECÍVEL CHICO

Depois de inúmeros pedidos do cunhado Gerson Sestini e de outros amigos seus, Romeu Grisi acabou cedendo à idéia de colocar no papel alguns episódios inéditos por ele vividos junto a Francisco Cândido Xavier.

Entre os motivos que o faziam relutar, estava o fato de achar que muito já se havia escrito sobre Chico, e também por considerar suas experiências junto ao saudoso médium de caráter mais familiar. Contudo, mesmo assim, cedeu aos apelos e o resultado foi o livro “Inesquecível Chico”, que acaba de ser publicado pelo Grupo Espírita Emmanuel (GEEM), em parceria com Gerson Sestini, que vez por outra acompanhava Grisi nas suas idas à Pedro Leopoldo e Uberaba, nas Minas Gerais.

Ao contrário do que acreditava inicialmente Grisi, as narrativas não repetem histórias já contadas sobre Chico. Propiciam, sim, uma leitura bastante agradável e repleta de elementos de reflexão, permitindo ainda ao leitor mergulhar naquele universo tão especial que foi o de Chico Xavier, repleto de grandes lições, humildade e muita espiritualidade.

Entre os 23 casos contados no livro, está o intitulado “O fio de luz”, que sensibiliza um tanto mais por se referir à dor de uma mãe que amanhece o dia repleta de saudades pelo filho que perdera há um ano vítima de suicídio. Atendendo à sugestão do filho que lhe restara, ela decide visitar uma instituição assistencial com a qual guardava muita afinidade, gesto este que pretendia dedicar à memória do filho que partiu prematuramente. E assim fez. Seguiu em direção à entidade, um asilo de idosos, levando consigo, num carro de aluguel, uma saca de arroz para doar à instituição, como descreve Grisi:

“Sabedor do drama daquela mãe, Chico, desincumbindo-se dos compromissos que o retinham, dirige-se de carro até a casa de caridade a fim de encontrar-se com ela.

Quando a divisa, a certa distância, eis que o médium, através da vidência, narra ao amigo que o acompanhava:

– Vejo, partindo do coração de nossa irmã, ao efetuar a entrega da saca de mantimento ao funcionário do asilo, um fio de luz que se projeta na direção do filho suicida.

Enquanto fala, Chico esboça um sorriso…”.

Estas cenas, como informa o autor, que lhe foram narradas pelo próprio médium nos primeiros anos da década de 60, se passaram em Uberaba.

“Esta senhora – complementa Grisi –, consciente de que flores no túmulo não lhe acalmariam o saudoso coração, procurava um meio de demonstrar seu amor pelo filho, que se adaptava no Além. Inspirado, o filho mais velho encontrou a solução, conduzindo-a para aquele sublime momento: a transformação do amor maternal, estendendo-o para os irmãos em humanidade.

Formou-se assim o fio de luz que a ligou ao querido filho”.

Entre os demais capítulos, encontram-se ainda: “Encontro em Pedro Leopoldo”, “José Xavier se manifesta a Chico”, “O sobrinho de Chico”, “A ciência do bemviver”, “As faculdades menos conhecidas”, “Comunicações e notícias de Espíritos”, “Enfocando os Evangelhos”, “Em círculo mais íntimo” e “Recordações da época”, que traz diversas fotos do médium.

“Inesquecível Chico” tem 14×21cm e 184 páginas. Pedidos, diretamente para o GEEM: Avenida Humberto de Alencar Castelo Branco, 2.857 – Caixa Postal 222 – CEP 09701-970 São Bernardo do Campo, SP – telefax (11) 4109-7122 e correio eletrônico geem@geem.org.br. É possível comprar o livro também pela internet, na página www.geem.org.br.

 

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QUESTÕES SOCIAIS

A desigualdade social no Brasil tem apresentado queda, contudo, o avanço do país nesse campo ainda é tímido, como revela a nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada em 17 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelo levantamento, a maior redução na diferença entre ricos e pobres no Brasil ocorreu no ano passado. Para o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, os indicadores sociais só não avançam mais porque a distribuição de renda não se dá numa velocidade maior do que a verificada nos últimos anos.

“O Brasil não é um país pobre; é rico e se aproxima de países desenvolvidos em alguns indicadores, mas a distribuição de renda é como a de países que nem sabemos direito onde estão no mapa” – disse Nunes ao jornal “O Estado de S. Paulo” (www.estadao.com.br), que divulgou matéria a respeito no dia 18 de setembro, a qual revelou ainda que a concentração de renda em solo brasileiro está mais próxima da de nações pobres da América Central, como El Salvador e Panamá, ou africanas, como Zâmbia, África do Sul, Suazilândia e Zimbábue.

O grande pensador francês Léon Denis, cujas obras são de leitura indispensável, sobretudo nas Casas Espíritas, dedicou um capítulo inteiro de seu clássico “Depois da morte” às questões sociais, que já eram objeto de preocupação na segunda metade do século XIX.

“Compreende-se, geralmente, que uma repartição mais eqüitativa dos bens da vida é necessária. Daí, mil teorias, mil sistemas diversos, tendendo a melhorar a situação das classes pobres, a assegurar a cada um, pelo menos, o estritamente necessário. Mas a aplicação desses sistemas exige da parte de uns muita paciência e habilidade, da parte de outros, um espírito de abnegação que faz, freqüentemente, falta” – afirma Denis, complementando que ao invés dessa mútua benevolência que, aproximando os homens, lhes permitiria estudar em conjunto e resolver os mais graves problemas, é com violência e a ameaça na boca que o proletário reclama seu lugar no banquete social, e que é com amargor que o rico confina-se no seu egoísmo e recusa-se a abandonar aos famintos as menores migalhas da sua fortuna, abrindo tudo isso um fosso, favorecendo o acúmulo, dia a dia, dos mal-entendidos, das cobiças, dos ódios.

“A causa do mal e o remédio não estão onde se procura com mais freqüência. É em vão que se esforça para criar combinações engenhosas. Os sistemas sucedem a sistemas, as instituições dão lugar às instituições, mas o homem permanece infeliz, porque se conserva mau. A causa do mal está em nós, nas nossas paixões, nos nossos erros. Eis o que é preciso transformar. Para melhorar a sociedade, é preciso melhorar o indivíduo. Para isso, o conhecimento das leis superiores de progresso e de solidariedade, a revelação da nossa natureza e dos nossos destinos são necessários, e esses conhecimentos, só a filosofia dos Espíritos pode dá-los” – afirma Léon Denis

 

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Sábado, 11/10/2008 no  2115

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É NECESSÁRIO QUE ELE CRESÇA E EU DIMINUA

Frederico Guilherme Kremer

 

A interpretação de Allan Kardec para a Parábola do Festim das Bodas, apresentada no capítulo 18 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, nos ensina que os povos ou países (cidades) são chamados, periodicamente, a liderarem o desenvolvimento da humanidade que está disperso em outras regiões.

Neste sentido, poderíamos citar como exemplos, a liderança do povo hebreu no desenvolvimento do monoteísmo e os gregos na filosofia. Mais recentemente, poderíamos lembrar a França que, em meados do século XIX, foi o berço do Espiritismo, embora o estudo dos fenômenos espíritas viesse acontecendo em vários países.

Ao final do século XIX, esta liderança foi transferida para a Alemanha, mas precisamente para Berlim, tornando-a, no primeiro terço do século XX, o centro do conhecimento humano. Nessa época, a física encontrava-se num dilema, pois o conhecimento disponível era incapaz de explicar novos fenômenos que surgiam, gerando um impasse para o avanço da humanidade.

O conhecimento físico dispunha da mecânica clássica de Newton e do magnetismo de Faraday, que não explicavam, por exemplo, a radiação.

Em Berlim, encontraram-se, entre outros, dois dos maiores cientistas que a humanidade conheceu. O primeiro deles foi Max Plank, o iniciador da física quântica.

Nascido um ano após a publicação de “O Livro dos Espíritos”, em abril de 1858, tinha um patrimônio intelectual diferenciado, ligado à ciência e às artes. Nas artes chegou a reger e compor música clássica, e nas ciências sempre se destacou na matemática.

A sua vida foi difícil pois sua primeira esposa morreu prematuramente, duas filhas morreram dando à luz e o filho primogênito morreu na Primeira Grande Guerra.

Por fim, durante a Segunda Guerra Mundial, Plank tentou ajudar os cientistas judeus e viu seu filho mais novo ser morto pela Gestapo, acusado de participar do atentado a Hitler em 1944. Plank desencarnou em 1947.

A física quântica permitiu ao homem avançar no conhecimento do infinitamente pequeno, ajudando na estruturação do modelo planetário do átomo, definido por Rutherford e Niels Bohr no início do século XX, com os elétrons girando em torno de um núcleo composto por nêutrons e prótons.

Posteriormente, além das partículas subatômicas, foram encontradas partículas subnucleares, chamadas de quarks. Atualmente, discute-se a Teoria das Supercordas, que seriam elásticos ultrapequenos e que, a partir da condição vibracional deles, todas as substâncias seriam formadas.

Seria como uma partícula divina. Assim, quanto mais a física avança, mais ela se aproxima dos postulados espíritas, pois na pergunta 23 de “O Livro dos Espíritos” encontramos a afirmativa dos benfeitores espirituais de que existe uma partícula fundamental formadora de todas as substâncias.

Em 1913, Max Plank, acompanhado por mais um cientista, empreende uma viagem até Zurique com um objetivo muito especial. A exemplo dos reis magos, que, segundo a narrativa de Mateus, foram adorar o menino Jesus, a comitiva de Plank foi reverenciar um jovem cientista de 34 anos, Albert Einstein, e convencê-lo a mudar-se para Berlim, onde, por certo, a divulgação de seus trabalhos e seu renome iriam aumentar, superando os de Plank.

Em 1914, Einstein chega a Berlim, onde residiria até 1933, quando então mudou-se para os Estados Unidos em virtude da ascensão de Hitler ao poder na Alemanha.

Einstein desenvolveu a Teoria da Relatividade, que levou a humanidade a desvendar o infinitamente grande. Destacamos, a seguir, alguns conhecimentos estudados por Einstein:

– A relação do tempo com a velocidade.

Quanto mais rápida a velocidade, o tempo passa mais devagar. Esta teoria é fundamental para as atividades espaciais;

– A equivalência entre matéria e energia, através da fórmula E=MC2, onde C é a velocidade da luz. Através dela, algumas gramas de urânio destruíram Nagasaki e Hiroshima em 1945;

– O efeito fotoelétrico e o quinto estado da matéria.

Dizem alguns cientistas que a harmonização da Teoria da Relatividade de Einstein, do infinitamente grande, e da Física Quântica de Plank, do infinitamente pequeno, será viável através da Teoria das Supercordas.

Este acontecimento entre Plank e Einstein nos leva a recordar uma ocorrência semelhante no campo do espírito, com João Batista e Jesus. O precursor de Jesus, o Elias reencarnado, iniciou o seu ministério anunciando a chegada próxima do tão aguardado Messias, no deserto de Judá, na Palestina.

Muitos seguiram a João, confiantes em sua palavra vibrante, sincera e humilde. Foi quando então sua promessa é cumprida.

Jesus desce da Galiléia para a Judéia, encontra-se com João, sendo por ele batizado, dando início à sua epopéia de amor. E o povo começou então a seguir Jesus.

Alguns discípulos mais próximos de João ficaram melindrados com esta mudança do povo e foram reclamar com ele. Foi quando então o grande João Batista anunciaria uma das mais famosas frases do Evangelho, e que retrata a essência desse grande espírito: “É necessário que Ele cresça e eu diminua”.

A grandeza e a humildade de Plank também o levaram a colocar o interesse da ciência – e por extensão da humanidade – acima de quaisquer considerações pessoais.

 

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Sábado, 11/10/2008 no  2115

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O LIVRO DOS ESPÍRITOS *Estudo de: Eurípedes Kühl

PARTE TERCEIRA - Das leis morais

CAPÍTULO VI — DA LEI DE DESTRUIÇÃO - (questões 728 a 765)

6.1 – Destruição necessária e destruição abusiva - (questões 728 a 736)

 

Ao ler o título do presente capítulo, versando sobre destruição, justamente nesta obra que desde o início tanto exalta a obra da Criação Divina, de imediato uma certa inquietação visita nossa alma, pois, à primeira vista, sentimo-nos diante de algo paradoxal. Sim: como pode o Criador ter engendrado a “Lei da Destruição”?…

 

Em demorada reflexão entendi: tudo é uma questão de raciocínio e principalmente da pobreza da linguagem humana para classificar as coisas da Natureza. Neste caso, estamos diante de mais uma bênção — a da transformação!

 

OBS: Entenderemos “a destruição” lembrando da lei enunciada em 1789 por Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794), famoso químico francês, que preconiza:

 

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.

 

Essa lei ficou conhecida como a Lei da Conservação da Massa ou apenas Lei de Lavoisier. Ela se aplica muito bem ao entendimento do Ciclo Hidrológico, que corresponde ao caminho percorrido pela água no nosso planeta. Toda a água da Terra é reciclada no Ciclo Hidrológico.

 

Deve-se ter em mente que a quantidade de água se mantém a mesma na Terra desde que o planeta foi formado, sempre circulando através do ciclo hidrológico, ou seja, a quantidade de água no nosso planeta hoje é a mesma do que a encontrada a 4,5 bilhões de anos atrás. O que muda é apenas o seu estado físico (sólido, líquido ou gasoso) e o local por onde está circulando. As águas evaporam-se dos mares, rios e lagos e transpiram da vegetação, formando as nuvens, que voltam à superfície sob a forma de chuvas ou neve. Ao atingir o solo, as águas das chuvas infiltram-se ou escoam para os rios, lagos e mares, onde o ciclo recomeça. O Sol é o grande motor deste ciclo.

 

Outro exemplo da Lei Natural da Destruição: as baleias passam a vida toda se alimentando de milhares de peixinhos. Quanto elas morrem, milhões de peixinhos a consomem… Tudo isso, em ciclos repetidos, permanentes…

 

Mais um: as grandes árvores, ao tombarem, diante do envelhecimento ou por acidentes naturais (raios, tempestades) servirão de ninho e alimento a grande quantidade de insetos, acabando por decompor-se.

 

Outro: quando vemos a ação dos animais predadores, ali não está presente maldade, mas sim a “dor-evolução”, num sábio entretecimento de ações, visando o equilíbrio ecológico, ao tempo que, em vidas futuras, os papéis se inverterão. Predador e presa, presa e predador, chegados ao reino da razão, trarão insculpido no seu corpo perispiritual que a dor dói… Daí, do que fizerem, serão responsabilizados.

 

Detalhe: tratando-se de animais, às questões 734 e 735, o capítulo tece duas situações diferentes, quanto a eles e o homem:

 

1ª - havendo necessidade, o homem tem direito à alimentação carnívora;

 

2ª - a proteção excessiva de animais (costume de alguns povos) pode espelhar mais temor supersticioso do que bondade.

 

Estou me estendendo nesse primeiro item, mas meu empenho é no sentido de que, partindo de mim próprio, haja entendimento do que seria a Lei da Destruição.

 

Por isso, uma derradeira ilação da minha parte:

 

Assim como as águas, os minerais da Terra são, atualmente, os mesmos que eram há 4,5 bilhões de anos (idade planetária). Por infinitos e permanentes fatores físicos e químicos, naturais ou provocados pelo homem, o que ocorre é que ora são decompostos, ora transformados, ora agrupados, ora espalhados.

 

O ser humano, ao nascer, em média pesa três quilos. Hoje é estimado pela Ciência (segundo artigo do doutor Marcelo Leite em “Ciência em Dia”, Caderno “mais!”, p. 9 da Folha de S.Paulo, 21.Ago.05,) que “Todos os seres humanos sobre a Terra, juntos, pesam alguma coisa da ordem de 250 milhões de toneladas.”

 

Laborando sobre esses números, sabendo que a população mundial gira em torno de seis e meio bilhões de seres temos que cada indivíduo pesa, em média, 38,46 kg (250 bilhões/ton ÷ 6,5 bilhões/pessoas). Ora: como as pessoas nascem, em média, com 3 kg e têm hoje (sempre em média) 38,46/kg, apenas para efeito de cálculo verificamos que cada uma agregou cerca de onze vezes seu peso original… E como nada foi acrescentado ao planeta, temos que todos somos mesmo formados essencialmente de matéria terrena (inorgânica primordialmente e que se faz orgânica, na vida).

6.2 – Flagelos destruidores - (questões 737 a 741)

 

Os grandes cataclismos não evidenciam, de forma alguma, castigo de Deus. Ao contrário, nada mais representam do que renovação, tanto dos Espíritos, que eventualmente sofrem com eles, como também do solo.

 

Quando por um cataclismo morrem adultos e crianças morrem criaturas boas e más; aquelas obtêm aprendizado e grande experiência, além de compensação no porvir; quanto a estas, desde já, abençoados resgates, além daquele aprendizado.

 

OBS: A engenharia japonesa vem, cada vez mais, desenvolvendo a construção de prédios “anti-terremotos”; os EUA, a construção de abrigos seguros contra os formidáveis tornados; países com riscos vulcânicos, barreiras às lavas; grandes epidemias hoje rareiam. Em todos esses casos vemos a inteligência humana evoluindo cada vez mais, por indução da Natureza.

6.3 – Guerras - (questões 742 a 745)

 

Não há justificativa alguma para as guerras. Nenhuma guerra!

 

O responsável pela guerra, objetivando lucro para si, atrai futuro de pesadíssimos ônus, demandando várias existências para expiar todo o mal que tenha causado.

6.4 – Assassínio - (questões 746 a 751)

 

Igualmente às guerras, não há justificativa para o assassinato.

 

Na guerra, contudo, constrangido pelas circunstâncias, a morte “do inimigo” caracteriza ação de defesa, sem nos esquecermos que a própria guerra constitui um barbarismo.

 

Vou a ponto de afirmar que até mesmo em se tratando de legítima defesa, o verdadeiro cristão (que estou longe de ser, é bom que eu o diga…) não causará a morte do agressor, nem “do inimigo”.

 

OBS: O ínclito Marechal Rondon (Cândido Mariano da Silva — 1865-1958), sertanista e militar brasileiro, internacionalmente laureado por sua dedicação na proteção dos índios, incomparável desbravador do sertão brasileiro, nele edificando linhas telegráficas, determinava aos seus auxiliares, antologicamente: “Morrer, se preciso; matar, jamais!”.

6.5 – Crueldade - (questões 752 a 756)

 

Qualquer ato cruel em nada se compara à necessidade de destruição.

 

Agir com crueldade denota primitivismo — ação pelo instinto bruto, em detrimento da bondade inserida por Deus em todos os Seus filhos, ao criá-los. Essa bondade, então latente, cedo ou tarde desabrocha, qual perfume das flores, no jardim ou nos pântanos.

 

Há homens muito cultos e cruéis, num evidente demonstrativo de que inteligência e cultura não são avalistas de bondade, de amor. Tais indivíduos serão expurgados da Terra quando esta progredir moralmente, indo renascer em Mundos Primitivos, onde sua inteligência alavancará o progresso deles e o seu próprio.

6.6 – Duelo - (questões 757 a 759)

 

Sobre o duelo não há muito que dizer, senão que é um atestado de orgulho e vaidade.

Se há ofensa, ideal será haver perdão, pedido pelo ofensor e deferido de coração, pelo ofendido. Assim se forjam as grandes amizades!

6.7 – Pena de morte - (questões 760 a 765)

 

(Este é capítulo de ações humanas sem justificativas de qualquer espécie).

 

A pena de morte, aceita e praticada por alguns países, ditos “desenvolvidos”, atesta que por lá os homens tomaram o lugar de Deus, isto é, ao invés da natural, promovem a artificial. No caso, se o objetivo era a correção, incomparavelmente melhor teria sido a recuperação do criminoso, jamais eliminação sumária. Até porque, sabemos nós, os espíritas, que o Espírito é imortal e assim esse, chegando ao Plano Espiritual, quase sempre pleno de revolta e desejo de vingança, pervagará em sombrias paragens, até que venha a ser esclarecido. Sabe Deus quanto tempo isso demandará e, de entremeio, quantas obsessões… 

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18 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO II; MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

ITEM 8 ; UMA REALEZA TERRESTRE

Chegamos ao final deste capítulo, em que Kardec estuda o ponto central dos ensinos de Jesus: a vida futura, que o espiritismo, através da mediunidade, veio comprovar.

Inseriu ele, neste estudo, uma comunicação mediúnica de um espírito que se apresentou com uma rainha de França, em Havre, 1863, que exemplifica a realeza terrestre, a dignidade real na Terra, sem a dignidade moral.

É uma comunicação que merece muita atenção e reflexão de nossa parte , visto que se não somos reis e rainhas, temos todavia, nossos pequeninos reinos, onde nos julgamos poderosos:  “ Aqui, mando eu. ” São nossos lares, na função de marido ,esposa, pais e mães, posições sociais ou profissionais de mais ou menos poder  etc. Como nos comportamos nestes casos ?

A ex-rainha inicia dizendo que somente no plano espiritual compreendeu a verdade de Jesus nas palavras: Meu reino não é deste mundo. Pensava ela que seria recebida no reino dos céus, como rainha. Pensamento este coerente com o que se pensava naquela época. A dignidade real era um direito dado por Deus à determinada família.

Surpreendeu-se, pois, ao despertar no plano espiritual, não ter levado consigo a sua realeza e muito mais ainda ao ver, muito acima dela, homens a quem desprezara, por não terem sangue nobre.

Deve ter então compreendido que os chamados direito divinos, que dava à classe nobre todos os privilégios e o poder sobre os demais, era uma invenção humana para legalizar a posse do poder terreno.

“Se a classe superior houvesse podido manter a classe inferior sem se ocupar com coisa alguma, tê-la-ia governado facilmente durante ainda longo tempo; mas, como a segunda fosse obrigada a trabalhar para viver, e trabalhar tanto mais quanto mais premida se achava, resultou que a necessidade de encontrar, incessantemente, novos recursos, de lutar contra uma concorrência invasora, de procurar novos mercados para os produtos, lhe desenvolveu a inteligência e fez com que as próprias causas, de que os da classe superior se serviam para trazê-la sujeita, a esclarecessem. Não se patenteia aí o dedo da Providência ? ” ( 1 )

Foi assim que os homens aboliram os privilégios de uma minoria e foi proclamada a igualdade de todos perante a lei, embora ainda não vige no comportamento cotidiano dos homens.

A rainha que veio nos contar a sua experiência após a morte, percebeu então, que Deus não privilegia nenhum dos seus filhos, dando a todos experiências, através da quais  devem desenvolver-se.

Percebeu a nulidade dos esforços do homem pelo poder e seus privilégios, nos seus diversos patamares e da necessidade da abnegação, da humildade, da caridade, da benevolência para com todos. Percebeu que para penetrar no reino de Deus, somente  as ações nobres em favor dos outros se constituem na chave que abre a porta desse reino de paz e felicidade.

“Oh, Jesus! Disseste que teu reino não era deste mundo, porque é necessário sofrer para chegar ao céu, e os degraus do trono não levam lá. São os caminhos mais penosos da vida os que conduzem a ele. Procurai pois o caminho através de espinhos e abrolhos e não por entre as flores.”

         Percebemos nestas frases a visão ainda muito humana, muito própria de quem ainda não percebeu a sublime lei da evolução espiritual.

Os sofrimentos do viver na Terra são conseqüências da imperfeição da sua humanidade, que ainda necessita viver em um mundo inferior para evoluir.

No momento em que se compreende as causas e os efeitos dos atos humanos no processo educativo determinado pela lei divina, passa-se a ver nesses sofrimentos, oportunidades de aprendizado e elevação espiritual.

Da então um valor relativo, compreendendo que se bem aproveitados, seus frutos os melhores e muito compensatórios.

Não precisamos, no entanto, procurá-los, mas sim compreendê-los na sua função regeneradora e educativa, colhendo seus frutos sazonados.

A aceitação pela compreensão da continuidade da vida leva o homem a transformar os sofrimentos da vida em desafios, que o estimulam, na sua superação, ao esforço do desenvolvimento espiritual, objetivo número um do viver na Terra.

Bibliografia: 1- Obras Póstumas, Allan Kardec: As Aristocracias.

Leda de Almeida Rezende Ebner

Novembro / 2002                                  

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17 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO II: MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

ITENS 6 E 7 : O PONTO DE VISTA

No estudo anterior vimos como a aceitação do fato da continuidade da vida dá ao homem o equilíbrio e a serenidade para melhor compreender os reveses, as dificuldades do viver na Terra, auxiliando-o a não supervalorizá-los, a compreendê-los, aceitá-los, como desafios próprios do viver na Terra, tendo em vista que aqui estamos de passagem.

Isso não quer dizer que vamos desprezar as coisas materiais, valorizando apenas a espirituais. Não, isso não acontece, visto que o homem traz em si o impulso do progresso e da sobrevivência buscando sempre o seu bem-estar e a melhoria do ambiente onde vive.

“Ele trabalha, portanto, por necessidade, por gosto e por dever e com isso cumpre os desígnios da Providência, que o colocou na Terra para esse fim. Só aquele que considera o futuro pode dar ao presente uma importância relativa, consolando-se, facilmente, de seus reveses, ao pensar no destino que o aguarda.”

A aceitação da vida futura estimula o desenvolvimento da inteligência na busca dos bens materiais, no uso desses prazeres, mas sem prejuízo das necessidades espirituais. Quando Jesus declarou: O meu reino não é deste mundo, referia-se à predominância da valorização que o homem dá aos bens e prazeres materiais, em detrimento dos interesses da alma, que o leva a desenvolver  em si o orgulho, o egoísmo e suas conseqüências .

Aquele que compreende a vida futura valoriza os bens e prazeres da Terra  pelos benefícios que eles lhe trazem à alma, como meios de enriquecimento espiritual, colocando as necessidades espirituais acima das necessidades materiais.

Vive-se na Terra para desenvolver as potencialidades do Espírito imortal e essa aceitação leva o homem a dar às coisas da Terra o valor relativo que elas têm para se atingir aquela finalidade.

Kardec faz uma comparação simples e esclarecedora. Escreve que o homem “que se identifica com a vida futura é semelhante a um homem rico, que perde uma pequena soma sem se perturbar; e aquele que concentra os seus pensamentos na vida terrestre é como o pobre que, ao perder tudo o que possui cai em desespero. ” Ele usa de duas situações próprias do viver na Terra, para mostrar que aquele que compreende a vida futura age em qualquer circunstância, como o rico que não se abala com a perda de uma quantia de dinheiro que não lhe faz falta. Se vivemos eternamente, por que se desesperar com essa ou aquela situação mais difícil ? O que significa tal fato no viver eternamente?

O espiritismo veio, justamente, demonstrar a realidade da vida espiritual, na comprovação da existência do mundo espiritual, ampliando a compreensão do processo evolutivo do homem. A vida na Terra é apenas uma passagem, importante para o aprendizado e crescimento espiritual, mas apenas um “elo do conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador.”

O espiritismo “revela a solidariedade que liga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos os mundos”, oferecendo “ uma base e uma razão de ser à fraternidade universal.” “ Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, quando apenas consideramos uma parte.”

Os esclarecimentos do espiritismo a respeito da vida futura fornecem ao homem uma visão muito mais ampla e profunda da vida, do ser, da dor, do sofrimento, das leis divinas.

Precisamos estudar refletir, analisar, enfim apreender o melhor possível à idéia de vida eterna, esclarecida pelo espiritismo, introduzi-la dentro de nós, de tal forma que nada sintamos, pensemos e façamos sem sua presença, sem seu norteamento, sem seu direcionamento. Só assim seremos capazes de sentirmo-nos serenos e tranqüilos, confiantes em Deus, em Jesus, diante dos revezes, dos sofrimentos próprios do viver de Espíritos ainda muito imperfeitos em um mundo também imperfeito.

Somente com a certeza da vida futura podemos aproveitar melhor a vida presente, o momento presente, porque ela nos faz olhar dentro e ao redor de nós, com olhos de esperança, de solidariedade, de confiança em Deus, em Jesus, em nós e nos homens.

Leda de Almeida Rezende Ebner

Outubro / 2002          

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